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SARAH BRILHA, FALA SOBRE BEIJAR GAROTAS E SER 'BASTANTE HÉTERO'


Sarah concedeu uma entrevista para o site PrideSource, publicada online em 29/abril/2014, na qual ela fala sobre curiosidades de suas experiências sexuais, sobre o Shine On, e sobre um fato muito lindo e delicado sobre a inspiração na vida uma criança transgênero.

Confira a tradução:

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Em que momento de sua carreira você soube que tinha uma grande base de seguidores gays?
Mmm ... provavelmente em 1991, Boston. (risos)


É um período bastante específico.

Eu falo sério. Talvez em 1992. Foi na época do meu segundo álbum ("Solace") e eu me lembro  de ir fazer um grande show em Boston. Eu saí com muitas mulheres após o show e, uhh, tinha uma bartender em particular que ela muito quente! E eu não vou dizer mais nada, mas sim. (risos)


Espere ai, não não, você não pode simplesmente me deixar não mão aqui, desse jeito.


(risos) Ela beijava bem - isso é tudo o que vou dizer! Essa foi minha primeira espécie de experiência. Não passou muito disso, mas foi, mmm, sim.

Eu só me lembro que havia um monte de mulheres de mãos dadas na plateia - e não era só isso, mas era um público muito inteligente. Eu nem mesmo sei como posso dizer isso, mas eu só me lembro desse sentimento de, wow, esta é uma grande, grande audiência. Eu gostaria de dizer o porquê, mas de qualquer modo, foi uma espécie e começo disso e eu acho que só evoluiu de lá.



Então garotas não somente beijam bem, mas também são muito atenciosas?

(risos) Eu posso generalizar com meus fãs dessa forma, e todos eles - gays, héteros - estão chegando por causada música. Eles estão vindo à igreja. Digo isso pois é assim que me sinto, especialmente sobre tocar ao vivo; pra mim, isso é uma espécie de igreja minha. Eu chego a ser parte de algo maior que eu mesmo e sinto que estou realmente ligada a outros seres humanos em um nível emocional e visceral real. É muito poderoso.


É um sentimento mútuo.
É um amor mútuo!


Você mencionou sua experiência com outras garotas em 1991, e por um longo período as pessoas fizeram suposições sobre sua sexualidade. O que você acha sobre o interesse do público em saber se você era bissexual?

As pessoas estão sempre interessadas em como os outros se relacionam. Eu nunca me esquivei sobre esse assunto. Quero dizer, eu sou bastante hétero. Deixe-me explicar dessa forma: eu nunca tive relações sexuais com uma mulher. Nunca. Eu já fiquei com mais de uma mulher, mas isso simplesmente aconteceu. E pode ser que havia álcool envolvido em uma das vezes (risos).


Mas nem todas as vezes?

Não, não. Mas sim, eu sou bastante hétero. Mas ao mesmo tempo eu sou uma forte defensora  dos direitos dos gays e das lésbicas porque eu realmente acredito que somos todos iguais. Devemos ser capazes de escolher quem amamos e como amamos, e de verdade, isso não é da conta de ninguém.


Claro. Concordo absolutamente com você nessa.

Oh, eu sei que sim! Eu percebi que estou conversando com os entendidos aqui (risos). Mas é o mesmo para qualquer grupo que está no ostracismo ou sendo demonizado por algo que simplesmente não deveria sequer ser  um problema. É o mesmo que ocorre com raça e racismo. Uma completa bobagem.
Me envolvi com o Lifebeat (uma organização líder nacional sem fins lucrativos focada em educar a juventude da América sobre a prevenção do HIV/AIDS) muito cedo em Nova Iorque. Havia todo este estigma em torno da AIDS, e isso é horrível. Pessoas estão morrendo, estão sofrendo - e isso não tem nada a ver com qualquer coisa, exceto que temos que ajudar, o mundo precisa de ajuda.

Como a face moderna do feminismo e alguém que fez uma declaração ousada com a Lilith Fair, quais são suas observações sobre a inclusão e a representação das mulheres na música hoje?
É uma boa sensação transversal acontecendo, mas é muito perigoso para mulheres jovens se tornar complacentes e pensar que não existe um teto de vidro. O feminismo quase se tornou um palavrão nos últimos 10 anos, como se não precisássemos mais disso; nossas mães, avós e bisavós fizeram todo este trabalho e está feito. É como se, "não querida,  ainda há crescimento na igualdade deste país, muito menos no resto do mundo", o que é mais assustador ainda. A qualquer momento, se não estivermos com a bola, nossa liberdade sexual pode ser tirada de nós. Você sabe, nossa liberdade de escolha. Em muitos Estados, isso está em fluxo. Então você não pode ser complacente. Temos que ter a vigilância e manter o olho nas coisas. Igualdade continua sendo uma luta que precisa ser travada.


Quando você olha para as mulheres que fazer música hoje em dia, o que você vê?
Eu vejo alguém como Lorde, que mostra fotos dela mesma alteradas e não alteradas por Photoshop e diz, "eu tenho espinhas, esta é quem sou, e não tire isso de mim; não tente fazer de mim algo que não sou". Ela é um grande exemplo de como uma mulher jovem  deve falar de si mesma, mas você sabe, ela é um Kiwi.

Eu acho Adele uma representação fantástica de música bela, poderosa e forte sendo feita por mulheres. Ela não é uma vareta, ela não tenta ser isso. Ela é corajosa, orgulhosa e linda, e tem praticamente a melhor voz lá fora. Eu me curvo para ela.

E depois, tem muitas garotas jovens que estão sendo muito abertas sexualmente, assim como as mulheres têm sido desde o início dos tempos, porque é uma ferramenta poderosa. É uma ferramenta poderosa que os homens praticamente controlam, no entanto. Eu não acho que muita coisa mudou neste departamento. As mulheres pensam que elas têm o controle total, e elas estão fazendo isso por que foi isto que os homens têm dito para elas fazer há séculos. Eu acho que é muito ingênuo pensar algo diferente disso.

O quão ciente você está do papel que seu álbum de 1993 "Fumbling Towards Ecstasy" têm desempenhado na vida de muitas pessoas homossexuais?
Eu já ouvi muito sobre esta história, e isso realmente aquece meu coração. Para mim, uma das melhores validações que um artista pode ter é alguém que você não conhece te dizer que o que você criou teve um impacto profundo para ajudá-los em algo. É absolutamente fantástico. Eu sou normalmente e propositalmente ambígua (na música) porque eu não quero esperar que isso seja sobre um cara se apaixonar por uma garota ou vice versa. Pessoas se apaixonam. Pessoas.


Mas além disso, "Fumbling" era compreensível para a comunidade gay para a comunidade gay na medida que se aproximava da idade, e explorou questões de auto realização, dúvidas e medos - situações passadas pelas gays.

Mmhmm, sim. Quero dizer, "Elsewhere" estava naquele álbum. "Good Enough" estava naquele álbum. Eu sei que com "Good Enough" eu desviei da ambiguidade e falei muito sobre "ela". Isso foi uma espécie de ser algo sobre a importância da mulher, a irmandade de ter outras pessoas. Pra mim, eu estava falando sobre uma relação hétero ter ido mal, um homem abusivo nesta situação particular, e mulheres que vêm para o resgate.


Você já ficou inspirada para escrever sobre alguma de suas experiências lésbicas?

(risos) Elas (as experiências) foram em um período de tempo tão curto... basicamente, uma noite, ou dias noites.


Foi um longo final de semana?

Sim, foi ao longo de um final de semana, há muitos anos atrás (risos).


Você mencionou "Elsewhere," e eu sei que muitas pessoas têm uma ligação particular com este trecho da letra: "Mother can't you see I've got to live my life the way I feel is right for me / Might not be right for you but it's right for me."

Absolutamente. Foi um rito de passagem total. E isso, pra mim, pessoalmente, foi direcionado à minha mãe, mas eu conheci uma criança transgênero há cerca de um mês atrás que me apresentou sua mãe, porque ele estava envolvido neste programa que estava abordando todos os problemas que ele estava passando, o que inclui sair de sua família. Como você sabe, isso pode ser realmente muito difícil. A mãe dele foi simplesmente maravilhosa. Ela me deu um grande abraço e disse "muito obrigada. Você têm feito tanto por nos unir novamente, porque eu tenho me conectado com sua música. Ele (seu filho) estendeu a mão pra mim e explicou o que estava acontecendo, e ele usou a sua música para ajudá-lo a explicar". Ela me deu um enorme abraço, e eu fiquei tipo "Oh meu Deus, venha aqui. Venham todos aqui. Abraço em grupo!" E todos nós começamos a chorar. De novo, que coisa linda é isso. O maior presente pra mim é que fazer parte de coisas assim, coisas que ajudam as outras pessoas a se sentir bem sobre si mesmos, e se sentir completos.


Você conseguiria produzir um álbum como "Fumbling" novamente? Eu sei que você provavelmente  não pode recapturar aquela época, aquele momento...
Não, não... você não pode. Porque eu era quantos anos mais nova? Espero que o "Shine On" seja um pouco mais parecido com o que é a alegria de viver, de um modo bastante aberto. Certamente é sobre falar de um rito diferente de passagem. Isto, pra mim, é o arco dos últimos seis anos da minha vida separação do meu marido, a perda do meu pai, e a separação da minha gestão e gravadora ao longo de 23 anos. São todas estas âncoras masculinas.


E perda. Muita Perda.

Muita perda. Muito disso é a segunda metade da minha vida. Estou entrando nela e perguntando "Como eu me defino? Quais escolhas vou fazer? Isso é tão bom quanto parece?" Diabos, não. Eu quero sugar o tutano disso todos os dias, e é daí que vem o título do álbum também.


Minha melhor amiga e eu estávamos conversando muito sobre todas as questões que estamos passando. Ela passou por um horrível divórcio há alguns anos atrás, e ela estava tipo "não quero simplesmente suportar. Eu não quero ter que sobreviver. Eu quero brilhar". E foi daí que surgiu o título (do álbum). E eu fiquei tipo "Oh meu Deus". Eu sempre apanhei muito para escolher o título dos álbuns, e é como se... é isto que o álbum significa pra mim. Eu não estou sucumbindo a "isso é tão bom quanto parece ser". Eu vou insistir. Eu vou continuar insistindo, continuar tentando, continuar crescendo e continuar descobrindo.



Como a música te ajuda nisto?

É enorme. É a mensagem  mais importante de expressão pra mim. É constrangedor, eu não sou tão comunicativa. Estou trabalhando nisso! Mas sou (comunicativa) na minha música. Eu me coíbo de conflitos. Eu sou terrivelmente relutante a conflitos, e assim um monte de coisa que deveriam ser ditas não foram ditas, nos meus relacionamentos pessoais. Então, pra mim, escrevê-las e processá-las por meio da composição sempre foi uma ótima maneira de colocar as coisas pra fora.

A diferença neste último álbum é franqueza. eu não estou tentando esconder personalidades ou idéias em universos paralelos ou em diferentes pessoas. É como "Não, esta sou eu, é neste ponto que eu estou, é disto que estou falando", e eu acho que está muito forte. Eu acho que "Fumbling" também estava assim. Era crú, simples e direto, e eu sinto que este álbum também está da mesma forma. Espero isso deste álbum. Pois certamente foi pra mim.
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Fonte: pridesource.com

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