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ENTREVISTA - HOUSTONPRESS


Confira abaixo a tradução da entrevista do HoustonPress com a Sarah, em que ela conta um pouco sobre o espetáculo Fumbling Towards Ecstasy do Alberta Ballet, a Shine On Tour na Austrália e sobre a relação com os fãs.

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Quando o assunto é sobre os maiores cantores e compositores canadenses na história, sempre vem à tona, como costuma acontecer, que Sarah McLachlan merece um assento na mesma mesa como Gordon Lightfoot, Leonard Cohen e Joni Mitchell. A música de McLachlan é tão amada em sua terra natal que em 2010 Sarah foi convidada para escrever a música tema para os Jogos Olímpicos de Inverno em sua "cidade natal adotiva" Vancouver, British Columbia, resultando na tipicamente inspirada "One Dream". Ela não teve muito problemas para se conectar ao sul da fronteira, vendendo cerca de 20 milhões de álbuns nos EUA.

As canções de McLachlan irradiam um tipo de intimidade confortável, nadando em arranjos exuberantes que giram entre emoção e intriga. Perto e ao mesmo tempo um pouco distante, esse estilo se apega a seu melhor trabalho, o single de 1994 "Possession" até o lançamento do ano passado Shine On, seu primeiro álbum em quatro anos e oitavo da carreira. Isso a torna uma artista essencial para a rádio adulto-contemporânea desde os anos 90, e inspira um nível quase de outro mundo de devoção em muitos dos seus fãs.

Mas nós vamos chegar a isso. O Houston Press teve a sorte de falar com McLachlan, agora com 47 anos, no início desta semana, depois que ela tinha acabado de voltar de uma visita rápida da Austrália.

"Ah, eu amei", diz ela. "Foi tão divertido. Eu surfei muito; foi ótimo Fizemos alguns grandes shows,
comi bastante comida, me diverti muito e dormi muito. Eu não tinha filhos por perto por duas semanas. Eu podia acordar e voltar para a cama com um café, se eu quisesse, sem interrupção".

Houston Press: Eu estava lendo sobre este balé que você produziu. O que te atraiu para a ideia de um balé baseado em suas obras?

Sarah McLachlan: Eu tive a oportunidade de trabalhar com Jean Grand-Maître na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, e eu me apaixonei por ele, sua personalidade, sua capacidade de ensino e sua arte. Então eu fui na mesma época ver o balé que ele tinha feito para Joni Mitchell. "Eu adoraria fazer algo assim para a sua música." Eu disse: "Claro! Isso não seria divertido?". Quer dizer, eu adoraria a oportunidade de levar a minha música e fazer algo diferente com ele. Eu fiz um monte de remixes de dança ao longo dos anos também. Acho interessante quando diferentes artistas têm a sua opinião sobre isso. Era tão simples. Ele estava ansioso, foi muito lindo.

Houston Press: Que tipo de entrada você daria a ao espetáculo, quando vocês estavam planejando isso juntos?

Sarah McLachlan: Nos sentamos para conversar por cerca de cinco ou seis horas, e tivemos uma grande e longa discussão sobre todas as músicas, tanto em formas concretas como em um monte de coisas abstratas também. Ele me perguntou qual a forma de entrada que eu queria, e eu disse: "Eu não tenho nenhuma ideia sobre dança. Nenhuma pista. A música está pronta. Eu fiz o meu trabalho. Você pode interpretá-la como quiser". E não fiquei desapontada. Foi lindo.

Houston Press: Você ficou surpresa quando viu o resultado, ou foi o que você esperava?

Sarah McLachlan: Eu não tinha ideia do que esperar. Eu não sou uma pessoa à dança. Como disse, eu realmente não sei nada sobre dança. Foi realmente inspirador e emocional também. No pas de deux de "Hold On", havia uma sala cheia de pessoas e todos os dançarinos estavam assistindo a minha reação, eu só comecei a chorar (risos). Era tão lindo. Os bailarinos estavam tão intensos. Lindo... sim. Desabei em lágrimas.

Houston Press: Li que você disse a um entrevistador que, ao assistir ao balé, surgiu uma nova visão das suas músicas. Como é isso?

Sarah McLachlan: Para mim, como artista, trabalho arduamente para fazer minha música e faço com que o resultado seja o melhor que possa ser, para colocá-las lá fora, no mundo. Isso capacita uma relação diferente com as pessoas, no sentido de assistir as pessoas moverem seus corpos e criar toda uma nova história de emoção. Quando isso acontece, acho que é realmente muito bonito.

Houston Press: Quaisquer outros planos para expandir a sua música em uma das belas artes?

Sarah McLachlan: Você nunca sabe. Eu dou um passo de cada vez. Estou com a turnê prestes a começar amanhã de manhã, e que dura até abril. Uma vez terminada, vou começar a pensar sobre o que está por vir.

Houston Press: Sei que provavelmente não há mais uma tonelada de cartas dos fãs, mas como anda este tipo de comunicação?

Sarah McLachlan: Não há mais muitas correspondências (cartas). Há principalmente o Facebook e coisas assim. Ou no meu site, em que eu pedi às pessoas para escrever e falar sobre o que a música significa para elas. Isso, de certa forma, fica mais direto, na medida de questões específicas como "o que você deseja compartilhar sobre essa música?". É muito legal, porque eu começo a ouvir um monte de histórias sobre o que a música significa para as pessoas, e como têm afetado sua vida. Essa é uma validação muito doce para mim como artista, em saber que algo que criei foi para o mundo e teve um impacto.

Houston Press: Vários comentários desta atual turnê de vocês são sobre as pessoas convidadas à fazerem parte da sua sala de estar por uma noite. É isso que você tinha em mente?

Sarah McLachlan: Sim. É mais ou menos como um daqueles velhos talk shows, onde você está basicamente no mesmo nível, como todo mundo. Esse é o tipo de intimidade que eu sempre tentei criar, porque eu não acredito que eu sou eu e eles são eles. Para mim, quando estou fazendo música, tocando e cantando para as pessoas, estamos todos juntos nisso. Portanto, esta é uma espécie de forma de quebrar as quatro paredes, e convidar as pessoas de uma maneira mais pragmática. Assim como permito às pessoas me fazerem perguntas (durante o show), eu as convido para o palco. É divertido e interativo, e algo especial a se  fazer para meus fãs.

Houston Press: Você se diverte com algumas perguntas que eles te fazem?

Sarah McLachlan: Ah absolutamente (risos). É um tipo de "caos controlado", porque eu não tenho ideia do que está por vir. Ainda bem que eles estão muito bem-comportados, mas houve várias vezes em que as mulheres começam a pular, dizendo "Oh meu Deus! Oh, meu Deus!", como se fosse um game show, onde eles surtam e ficam me abraçando. Certa vez, um cara me deu um grande abraço de urso e me levantou direto do chão e não me soltava mais. Meu microfone ficou esmagado entre mim e ele, enquanto todo o público estava assistindo. Depois de alguns momentos, ele ficou como "me deixe saber quando você quer que eu te solto", e eu "você pode deixar ir agora!" (risos). Enquanto isso, olhei para meu segurança que estava com aquela cara, me olhando com o canto do olho, como, "Devo separar...?" e eu meio que respondi "Não, está tudo bem".
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